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O AMOR É A ÚNICA LEI POSSÍVEL |
Todos os caminhos de Deus conduzem ao Amor. E é o Amor o instrumento de que Deus se serve, para propiciar a seus filhos os caminhos de aprendizado e redenção.
Deus não está "castigando" um espírito pecador que hoje enfrenta uma encarnação compulsória, num corpo desforme. Deus está, sim, derramando sobre ele sua infinita Misericórdia.
O Espirito que contraiu tantos débitos com o seu próximo, que prejudicou centenas de milhares de vidas, depara-se, ao desencarnar, com centenas de milhares de inimigos, no Plano Espiritual. E é aí que a Misericórdia Divina se faz presente, não entregando esse espírito à fúria de seus inimigos, mas concedendo-lhe uma nova reencarnação, ainda que contra sua vontade, como é o caso das reencarnações compulsórias. O espírito revestido por um corpo doente e necessitado de tudo, é um espírito "condenado" a conhecer o Amor!
Vejamos a situação por outro prisma. Imaginemos que aquele déspota, citado no exemplo acima, hoje habita um corpo deficiente, condenado a passar a vida em um abrigo, sem familiares ou entes queridos, e necessitando portanto da caridade alheia para viver. Esse espírito está sendo beneficiado de incontáveis maneiras. Ele está sendo exposto, rotineiramente, a uma das tantas formas do Amor: a caridade. Os benefícios para o espírito são inúmeros, mas vou citar alguns:
1 – Revestido por um corpo deficiente e necessitado de tudo, o espírito está "protegido". Quem em sã consciência faria mal a uma criatura assim?
2 – Ao necessitar da bondade alheia, de tantas mãos anônimas que o alimentam, vestem, tratam, limpam, medicam, esse espírito está recebendo – mesmo contra a sua vontade – gotas diárias de Amor. Está sendo exposto ao carinho e à compaixão de estranhos. Está começando a conhecer o amor...
3 – O espírito nessas condições não pode alimentar seu orgulho, nem sua vaidade, nem seu apego ao poder, que foram, sem nenhuma dúvida, as causas principais de sua queda.
4 – Abrigado em um corpo que não lhe permite externar ímpetos de fúria, esse espírito recebe tratamento e cuidados de almas abnegadas, a despeito de raça, cor, credo, condição sexual, intelectual ou orientação sexual. As limitações do espírito não lhe permitem dar vazão a seus tantos preconceitos, salvaguardando-o de tantos outros motivos de queda...
5 – Abrigado em um corpo extremamenta limitado, o espírito está também protegido de seus inimigos desencarnados, que, a seu tempo, irão reencarnar e buscar novas experiências, até substituir por Amor todo o ódio que hoje sentem (odeiam e sofrem não porque tenham sido feridos, mas essencialmente porque ainda não aprenderam a perdoar).
A pena imposta, no exemplo dado, não é a prisão em um corpo débil. Um espírito nessas condições está "condenado" a conhecer o Amor, a aprender sobre Caridade, a vivenciar a Humildade. E em tantas vidas quantas forem necessárias, esse espírito profundamente doente, terá a chance de se reerguer, através da única lei possível: a do Amor. Não pela vingança de seus inimigos, não pelo castigo, pela dor, pelo ódio, mas pela vivência no Amor. É o Amor, em suas muitas formas, que irá quebrar suas resistências, tocar-lhe o coração, e dar-lhe as forças necessárias para reerguer-se e RECOMEÇAR.
Todos os caminhos de Deus levam ao Amor.
E o Amor é o combustível da Justiça Divina.
Nós, espíritas, devemos nos desapegar da ideia de um Deus que julga, condena e pune. Devemos começar a perceber a Misericórdia Divina onde antes víamos "castigo". Devemos compreender que as "expiações" são caminhos para a redenção. Devemos buscar não a justiça, mas o perdão. Não devemos nos sentir "vingados" pelo sofrimento alheio – devemos, sim, ter compaixão por tantos irmãos nossos que ainda não conhecem o Amor.
E entender que, em última instância, Deus não julga, condena e pune (como talvez gostaríamos que Ele fizesse). Ao invés disso, Ele tem a paciência e a misericórdia de nos entregar à nossa própria consciência, para que, cada qual a seu tempo, trilhemos nossa senda individual de progresso e aprendizados, que nos conduzirão até Ele. Deus nos dá tempo, e inúmeras possibilidades de recomeçar, através das vidas sucessivas. E, através do livre-arbítrio, Deus nos entrega a nós mesmos, porque já nos revestiu, quando nos criou, de seu infinito Amor.
"O homem é o seu próprio juiz, no aquém e no além. Ninguém lhe pede contas do que fez, mas ele mesmo se defronta com a imagem do que foi e do que é. É essa a infalibilidade da Justiça Divina. O Tribunal de Deus está instalado na consciência de cada um de nós, e funciona com a regularidade absoluta das leis naturais.
Não somos julgados por nenhum tribunal sobrenatural, mas por nossa própria consciência. Daí a fatuidade dos julgamentos religiosos, doas indulgências e dos sacramentos.
Deus, o Existente, partilha conosco das provas existenciais. E é dentro de nós, em nossa consciência, em nosso íntimo – sem que tenhamos a mínima possibilidade de fuga ou desculpas mentirosas, – que somos julgados.
Mas a Justiça de Deus, se é rigorosamente precisa, é também revestida de misericórdia. As atenuantes justas são levadas em conta e as oportunidades de regeneração e reparação dos erros e crimes jamais nos serão negadas.
Deus não nos castiga ou reprova: ele nos entrega a nós mesmos, sob a garantia infalível do tribunal consciencial.
Deus não nos criou para a perdição, mas para o desenvolvimento das nossas possibilidades divinas. O simbólico pagamento das dívidas do passado não é mais do que a reparação necessária dos nossos erros, por mais graves que sejam, para que possamos continuar na administração da nossa herança divina."
José Herculano Pires
Estamos destinados ao progresso, que se dá através do aprendizado e das experiências terrestres. Muitos de nós ainda precisam do remédio amargo, que irá curar nossas almas – muitos, ainda escolhem aprender através da dor. Outros, já aprenderam a progredir através da lei do Amor.